"Durante sete anos o Seminário de Vitória foi um farol solitário iluminando o Trovismo. Chegou-se a suspeitar que seria sempre assim...
Mas não. Em Outubro de 1987, a rotina foi de novo rompida e outro foco de luz surgiu no Nordeste do país. Alba Tavares Correia, Presidente do Clube de Trovadores da Associação de Imprensa de Pernambuco, realizou com absoluto êxito, o 1º Simpósio Nacional do Dia da Trova em Olinda, Pernambuco.
E 1988, proclamado o Ano Adelmar Tavares por ser o centenário do seu nascimento, assiste a uma verdadeira explosão de encontros. As cidades de Timóteo ( no Vale do Aço mineiro ), Rio de Janeiro e Porto Alegre entram no páreo, cada uma delas com seu encontro, ampliando, assim, as oportunidades para que os Trovadores locais ou regionais possam assistir e contribuir com sua parcela de idéias.
Em 1989, mais duas cidades se incorporam à programação regular: Petrópolis ( em Janeiro ) e a longínqua Porto Velho, Capital de Rondônia, em Março."
Um homem que abandona uma mulher em condição de espera. Uma jovem que abandona o filho à madrugada, à morte. Um filho que abandona os pais à própria sorte. Um amigo que se esquece do outro e some, desaparece, sem deixar vestígios. Abandono, as trovas nuas da existência, persiste, a nos tirar o sono, a soluçar baixinho, quando todos dormem, e os dormentes não. Sós, essas trovas, ou pessoas, vão.
Tentei vários caminhos para ser feliz. O Abandono seguiu-me a pé. Tomei um ônibus, um novo rumo, mas, cruel, o Abandono foi ágil: estava em cada um que me esperava.
Trovas sobre Abandono - Número Dois
Ao clarão da tarde quente,
te abandono e tenho medo:
quando chove só na gente,
nasce a lágrima em segredo.
O segredo do abandono
se revela ao sol mais pleno:
és verão, e sou outono,
neste inverno nada ameno.
Ao tomar de um violão,
tomo o bonde da esperança;
no abandono da estação,
estaciono em mim criança.
Uma casa de escritores
junto ao "rio guaçuano"
foi a causa dos amores
que cobri de desengano.
No divã da inconsciência,
entre Freud e o próprio eu,
peço a Deus a paciência
que o Abandono já comeu.
Meu amigo mais querido,
Baden Powell de ilusão,
fez-se em algo conhecido:
abandono e eterno não.
No sertão de minha vida,
vivo feito o Riobaldo:
só "veredas" dão guarida
para o rio do Olivaldo.
Olivaldo Júnior
Mogi Guaçu, São Paulo, seis e sete de abril de 2014.